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O tão falado aumento na passagem de ônibus 9 Fevereiro, 2009

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Todos os jornais da cidade (todos os dois…) publicaram em suas páginas na semana passada artigos relacionados ao aumento da passagem de ônibus aqui em Ponta Grossa. As letras dos jornais princesinos estamparam a indignação da sociedade, e também alguns motivos alegados pela concessionária que presta o serviço para a cidade.

O primeiro motivo mais citado, foi que durante a campanha eleitoral de 2008, grande destaque se deu ao fato de que a tarifa não tinha reajuste há vários meses. Porém, vemos como alguns setores da cidade, que somente dão suas caras nesses momentos, interpretaram isso de maneira incorreta, uma vez que jamais fez parte do plano de governo do prefeito Pedro Wosgrau, o “congelamento” do preço da passagem por mais tempo. A passagem não subia há tanto tempo, e agora teve que subir.

Acredito que protestar contra o aumento é concordar que a concessionária deve ignorar o fato de que os combustíveis da frota, os salários dos funcionários, as despesas e manutenção dos carros não lhes custa absolutamente nada. O que a sociedade deve fazer, e isso sim eu concordo plenamente, é cobrar da concessionária mais qualidade no transporte, mais veículos circulando nos horários de pico para evitar superlotação, e claro, algo que nunca ninguém parou para pensar: é hora de se fazer um estudo de tráfego para os ônibus, que além de atrapalharem o trânsito das ruas principais da cidade, ainda circulam com dificuldade levando mais tempo para chegar ao destino. Sem falar do Terminal do Santa Paula, prometido há vários anos e que nunca foi construído.

Em cidades da Europa e de diversos países do mundo, muitas pessoas preferem utilizar o transporte coletivo para irem ao trabalho do que irem de carro. O motivo se deve pela rapidez e pelo conforto. Ônibus com ar-condicionado, música ambiente e que quando param para recolher passageiros, seu piso praticamente se nivela ao solo, eliminando os degraus.

A Transportes Rober, empresa que realiza o serviço de transporte coletivo em Granada, Espanha, utiliza um sistema muito interessante para informar o horário do ônibus para os passageiros: nas paradas de ônibus existe um painel eletrônico que informa quantos minutos levará para o ônibus chegar naquele ponto. E a precisão é exata. Quando o ônibus está há poucos metros, o painel indica duas flechinhas piscando, informando que em poucos segundos o ônibus estará naquele local.

O ônibus também são todos na sua maioria desprovidos de degraus, e todos adaptados para cadeirantes. O site da empresa contém informações acerca de seus onibus e sistema empregado: www.transportesrober.com

Creio firmemente, que se tivermos um transporte eficiente, e NOVAS IDÉIAS para que ele seja de qualidade, rápido e confortável, isso poderia inclusive fazer com que muitos motoristas deixassem seus veículos em casa e utilizassem o transporte coletivo público. O trânsito e a natureza agradecem.

Você é um Pelicano como eu? 1 Fevereiro, 2009

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Lidar com a imagem é algo complexo, intrigante. Ainda mais quando a imagem que está em jogo é a sua. Fazemos de tudo para preservar nossa boa imagem.

A vida, a melhor das faculdades sem direito a diploma, nos ensina a lidar com isso nos dando o oposto: as humilhações nos fazem perceber que não temos a imagem que pensamos ter.

Fazemos um monumento à nós mesmos… Criamos definições e autoridades que de fato não temos. É o orgulho.

Lidar com tudo isso é extremamente difícil, porque mexe no âmago do nosso ser, nas coisas que desde pequenos aprendemos como certas e indubitáveis. A vida toda somos mimados, elevados à honra dos altares, as pessoas acreditam que destacar as qualidades e omitir os defeitos é prova de amor, é prova de carinho. Quando nos deparamos com a vida real, não sabemos muito bem como lidar com tudo isso.

As vezes, na tentativa de preservar um pouco do nosso pequeno-deus, buscamos justificar todos os nossos equívocos. Para nós, são perfeitamente compreensíveis. Mas, para os outros…

O mundo que vivemos fala o tempo todo de paz, roupas brancas, axé e essas coisas. Mas a paz que se busca já se tornou uma bela utopia. Na prática, as pessoas não desejam paz. Na prática, cada um só busca justificar que sua parte “está feita”, com isso querendo dizer que a culpa é de Deus.

E aí, sobra pra ele.

De concreto, penso eu, o que se pode fazer é o mesmo que os entendidos sugerem que se faça no trânsito: buscar ver as coisas não individualmente, mas coletivamente. Vivemos muito focado no eu, no que me dói, no que me faz sofrer. Mas esqueço um pouquinho de ver à minha volta como os outros estão enxergando o meu momento. Prefiro defender meus dogmas, justificar minhas posições, e fazer como aquele pelicano, que prefere se ajeitar naquele pau, no meio da água.

Nós somos um pouco assim. Buscamos ter o controle total da nossa vida, buscamos que a vida seja um reloginho. Que o peixe caia na nossa boca na hora que tivermos fome, que os outros pelicanos busquem cada um o seu assento… Esquecemos que como seres humanos, somos animais que andam e pensam. Temos alma. Ou seja, esquecemos que alma deriva de anima (latim) esquecemos que a vida precisa ser animada, ter vida, acontecer, ter atitude.

Não há coisa mais triste do que ver uma pessoa sem sonhos, sem projetos, sem expectativa. No seu falar, no seu viver, apenas se ouve lamentações, lamúrias, reclamações. Geralmente são pessoas que sempre sonharam pouco, sempre buscaram as coisas mais rasas, mais próximas. E como o fácil desejado, fácil acontece, logo em seguida a vida perde a graça. E a pessoa passa a viver um momento de desencanto.

A coletividade nos tira desse risco, de viver uma vida mesquinha e pequena. Só está sozinho quem realmente quer estar sozinho. “Se digo: me sinto sozinho!” Então é hora de usar disso como uma escada para acolher ajuda.

Quando a estátua do Homem Bom que eu sou começa a cair, todos os sentimentos se misturam e nos deixam perplexos. Mas, na visão cristã, é necessário ruir o Homem Poderoso para dar lugar ao homem novo.

E a configuração deste homem é a humildade, a certeza de que sua vida está no trilho, e a aceitação de suas incapacidades, pecados e limitações.

O objetivo deste texto é buscar colocar nas letras um pouco do que eu mesmo tenho tentado absorver da faculdade da vida. O filósofo tinha razão: “Só sei que nada sei”. A medida que os passos vão sendo dados, que a vida vai seguindo seu curso, vou vendo que realmente é verdade aquilo que dizem sobre as consequências do que fazemos. Tudo o que fazemos, tem consequencia. Boas ou más. Pequenas ou grandes.

Penso nisso cada vez que a imprensa explora um escandalo, ou mesmo quando alguem me diz que algo dito por mim a feriu, ou a ofendeu. Tudo o que faço, digo, penso… Tem consequência…

O aprendizado disso tudo é simples: a imagem que temos, não é o que verdadeiramente somos. O espelho nosso, são nossas palavras e atitudes. Elas são em realidade, a razão da nossa vida ser feliz, ou não. No olhar e no acolhimento do outro, vemos se realmente somos boas pessoas…

Carta para os meus inimigos 30 Janeiro, 2009

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Quando as palavras somem, quando tudo perde o sentido… Talvez você se alegre, vibre, dê saltos de alegria, meu caro inimigo.

Quando as coisas se embolam, as lágrimas se sufocam… Os abraços se impedem e os gritos de socorro são abafados… Sei que estás contente, meu caro inimigo.

Porém, meu caro inimigo, gostaria de dedicar umas palavras minhas, simples, mas muito sinceras.

O teu rancor é um grande favor que fazes para mim, porque ele me faz olhar pra cima, acreditar que o céu existe. Não sabes o bem que me fazes ao dedicar algumas gotas de tua raiva, porque elas mostram o homem insatisfeito, orgulhoso e errante que muitas vezes sou. Teus sentimentos fazem com que os meus também aflorem, e assim eu possas me conhecer melhor.

Se não fosse isso, querido inimigo, quem sabe eu continuasse achando que sou o melhor dos homens; o mais perfeito empregado, o mais apaixonado namorado, a obra criada de Deus mais perfeita.

Graças a você e a tudo que me tens dedicado, eu posso sair do mundo de ilusão que eu vivo, posso viver a realidade, posso enfim saber que caminho trilhar para a felicidade.

Chegará um dia que não mais seremos inimigos, porque todos os sentimentos que atualmente nos separam, nos divide, serão motivos para nos unirmos, para nos darmos as mãos.

Por hora, basta apenas admitirmos nossos pecados, viver pela graça do bom Deus e não para fazer o mal. Quando me atacas, é difícil não chorar de dor, mas depois me acostumo e vou vendo quanto bem estás me fazendo.

De alguém para seus inimigos.

É noite de natal 24 Dezembro, 2008

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O sol começa a ir embora, o vento da noite começa a passear pelas ruas. É noite de Natal.

Hoje, celebramos pela 2008° vez, o aniversário daquele que se encarnou no ventre de uma mulher, sofreu tudo o que um Deus não precisaria sofrer, e desde seu primeiro dia de vida sempre falou de amor.

Hoje, sentimos falta de amor. Seja ele por uma pessoa, seja ele entre as pessoas; o mundo carece de amor. Carece de compreensão. Nosso Natal é um pouco mais triste porque sabemos que por aí, pessoas padecem simplesmente por não terem a oportunidade de serem amadas.

Hoje, nesta noite considerada mágica para alguns, eu gostaria de registrar como estou vivendo esta noite. Sinceramente? Apenas lutando para acreditar que vi Jesus nascendo…

Feliz Natal a todos, de nada resolve paz, se não há amor. Amai-vos!

Escravos do medo 23 Dezembro, 2008

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“O tempo é tempo porque passa, pois senão passasse já não seria tempo, mas sim eternidade.” Santo Agostinho ao dizer isso, define o tempo para nós mortais. Ele, o tempo, do qual muitas vezes nos tornamos escravos, atamos nossa vida ao julgo opressor do tempo, na tentativa de aproveitar cada segundo, na ânsia desesperada de não perder nenhum centímetro cúbico de vida.

Durante a vida, temos no seu decorrer diversos momentos em que na ânsia de não perder, acabamos sentindo um amor exageradamente grande por nós mesmos. Defendemos a nós mesmos e tudo que consideramos valioso, porque a morte está à porta e pode nos arrebatar a qualquer momento. Blaise Pascal afirma que antes do pecado original cometido no paraíso por Adão e Eva, o homem possuía uma relação de amor com o Criador, encarava-o face à face. O orgulho do homem rompe esta relação íntima com Deus, o homem passa a querer igualar-se a Deus.

O homem volta-se a si mesmo e não suporta o que vê. Contempla suas misérias, suas fraquezas e não suporta. Porque esta realidade que ele agora contempla o impede de tudo dominar, de ter tudo assegurado, de tudo possuir.

Surge o homem Pascaliano. O homem que precisa ser admirado, venerado pelos outros. Sua felicidade, como fuga de sua própria realidade, é estar presente no imaginário alheio. Surge a necessidade de reconhecimento, de um bom reconhecimento. Aparece a figura do Escravo da própria imagem.

Pascal aponta ainda que o homem, na fuga constante do seu presente, buscará por meio desta veneração alheia a felicidade, para fugir daquilo que ele chama de Tédio, ou seja, a insuportável contemplação da sua própria miséria. Pascal chama esse ato de Divertimento.

Aqui acontece um ponto de ligação entre Agostinho e Pascal.

O homem Pascaliano é o homem secularizado. É o homem que cria uma vida paralela à sua, por não suportar sua própria miséria. Busca consolo no elogio, na admiração, na veneração alheia. Santo Agostinho apresenta o homem eterno, que, em contra-partida, à partir da contemplação do seu presente e do seu futuro, consciente de que seu fim é o nada (a morte), passa a restabelecer uma ligação com o seu criador.

Surge então a figura do medo. E por conseguinte, a escravidão do medo. Medo é a impotência que se sente diante de um fato. É a incapacidade que surge, diante de algum fato antes não-experimentado. Sentimos medo quando não conseguimos definir a melhor reação para o acontecido.

Todo homem sente um medo profundo de experimentar sua fraqueza, e de reconhecer sua fraqueza. Porque tal reconhecimento nos impõe um medo fatal de não sermos amados. Volta a idéia pascaliana de fuga de si próprio. O homem não consegue viver sendo desprezado. Porque sua configuração primeira, antes do pecado de Adão e Eva era de ser amado por Deus, e daí vem sua necessidade original de ser amado.

Falei no início sobre a escravidão do tempo, e termino frisando a escravidão do medo. Ele, o medo, nos impede de avançar, nos atrasa. Porque ele é o delimitador da nossa capacidade de vencer desafios. O medo é a reação que podemos ter ao olhar para nós mesmos. Contemplar que somos fracos não nos pode causar medo, e sim uma constatação de que Deus existe e é a causa primeira de tudo. Creio ser esse o princípio da humildade; sei que não posso nada sozinho, mas do Criador vem a força e a razão para não desistir, perseverar e lutar. É difícil, por vezes parece impossível. Mas eis o princípio da eternidade: acreditar que a força que nos move no tempo, permanece em nós existindo por toda a eternidade.


Espírito natalino 19 Dezembro, 2008

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Natal é uma época que as pessoas naturalmente ficam mais afetivas e religiosas. Até mesmo aqueles que não professam nenhuma crença, ou mesmo são cristãos, respeitam e nutrem um certo sentimento solene diante desse momento.

O comércio já está encerrando o período do natal, porque para eles é interessante vender antes da data. Passado o 25 de dezembro, já inicia-se as campanhas de Ano Novo, e depois deste, as de carnaval.

Esta antecipação das datas, sua vivência fora de contexto e totalmente voltadas para o estímulo das vendas, é na minha opinião a causadora do fenômeno da aceleração do tempo. Todo mundo diz que  o ano passa rápido, que os dias passam rápido. Mas pensa comigo: vivendo tudo antes da hora, é pra passar rápido mesmo, não é?

Em outubro já se falava alguma coisa de natal. Início de novembro já se ouvia as musiquinhas típicas e os adornos começando a serem instalados nas vitrines. Agora que realmente é a época, já estão mudando os cartazes, abafando o “espírito” natalino.

Repare bem. Semana que vem, as promoções vão ser todas pra pagar depois do carnaval. E isso vai fazer você pensar no que pode comprar pra ir passar o carnaval na praia…

A magia do fim de ano 15 Dezembro, 2008

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Chegamos ao final de mais um dígito do século 21. Um século caracterizado pela incrusão digitar e a modernização das colunas sociais.
Sempre combati essa página desnecessária nos jornais, sempre achei odioso, melancioso e mimóseo ver socialites falidas com seus maridos ricos e amansados pelo flash do colunista em troca de luz e alguns tapinhas nas costas. Sempre fiz campanha contra, e os amigos que me lêem ao longo dos anos e nos diversos endereços sabem disso.
A magia do fim de um ano está na retrospectiva dos acontecimentos marcantes: As eleições em Ponta Grossa que renderam picos de audiência bem legais a este blog; ao diz-q-me-diz que se instalou desde então, de candidatos tentando achar um lugarzinho no tronco para sugar juntos da mesma seiva; coisas da política…

Foi o ano da München Fest mais cara de todas as 19 edições: 18 reais. Uma festa do Chopp Escuro, com temas alemães, porém com cantores de pagode de gosto duvidoso. Foi ano de Shows internacionais; Nazareth, Scorpions. Foi o ano em que a avenida Vicente Machado ficou bonita, foi o ano que a música do Daniel voltou a ser sucesso.

Foi um ano bom.

Agora, passaremos a ver na tela da tv, os meeeeeeesmos programas de sempre, com homenagens, reprises, melhores-momentos, despedidas, filmes, repetecos…

Todo mundo preocupado com a morte do Figueroa da novela A Favorita, mas mandando às favas a situação econômica mundial. É, Brasil, quem te viu, quem te vê…

Enfim, vamos iniciar agora o fim. Talvez apenas um desfecho para o começo que está no seu limiar. O macaco pula de galho em galho, mas sabe que às oito da noite, a Donatela está na tela. Uhuuu, sai urucubaca, que agora que descobriram que o Severino Cavalcanti é o Austin Powers brasileiro, Brasília está bem protegida com o ‘agente Bond cama’…

Quer saber, vou é sair de cena antes que o Sílvio Santos me tire do ar…

Para vocês 11 Dezembro, 2008

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A alma se retira ao seu repouso, certa de que sozinha não está. As forças ao invés de sumirem, crescem. A vontade e a fé de que o sol teima em brilhar prevalece. Tudo é bom. A vida é boa. Nada pode estar errado.

Quando meus olhos se fecharem para a eternidade, os que percorreram e irão percorrer um trecho do caminho ao meu lado, tenham a certeza de que tudo se foi, mas a fé permanece; Com crises, combates, medos, mas tenho a fé. Ela não me faz desisitir.

Algumas linhas aos anjos que estão comigo nesse instante maravilhoso da minha existência.

Em uma noite escura 9 Dezembro, 2008

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Todo ser humano, em sua viagem por este planeta, realiza travessias perigosas, momentos de barro na estrada, escuridão na estrada.

Os que me conhecem, podem contemplar um pouco da minha travessia nos últimos anos. Tem sido tempos valiosos, de grandes experiências. A vida tem sido bastante generosa comigo; me dando muito, mas cobrando o preço justo.

É claro que a angústia, a tristeza, o medo e o cansaço recheiam o bolo da história, mas Deus tem se encarregado de nutrir as forças para completar essa travessia. Sempre acreditei que as dificuldades vão nos acrescentando sabedoria, discernimento. Não acredito possuí-los em quantidade para poder vangloriar-me, e se o fizesse, sua validade seria duvidosa. Porém dentro de mim acendeu uma certeza de que ao final da vida, nos últimos minutos que tiver por este planeta, haverá a sensação de dever cumprido, e isso é o importante.

A filosofia me ensinou (gracias, Feliciana!) que a esperança é que conduz o homem ao longo da sua vida; é ela que dá sentido a todo esforço realizado; todo plano, todo sonho, sem esperança é como um simples devaneio. São Paulo fala que a esperança é a âncora da alma, e sinceramente, este símbolo da âncora sempre me fascinou por sua robustez, seu peso e sua importância. Já que um navio ancorado não é levado pelas ondas do mar, oxalá minha vida tivesse uma âncora forte que não deixasse minha vida ir-se com a dança das águas…

Neste tempo de “noite”, como meu santo predileto gosta de definir os momentos difíceis, eu apenas tenho buscado estar. O homem selvagem indomado que habita meu ser por vezes deseja resolver tudo com a força e com a razão, mas agora Deus tem sido muito bondoso por dar um tempo em que Ele resolve as coisas a seu modo.

Outro dia pensava comigo: sim, é mais fácil criticar, porque para isto não se requer humildade, já que o julgamento é o filho predileto da soberba. Sim, para aprender isto eu precisei julgar muito, e ainda julgo.

Mas o julgamento produz no homem (produziu em mim) um gosto azedo na boca de uma constante insatisfação, uma constante vontade de causar uma revolução e mudar tudo de uma vez só. E acredite, palavra de quem sente isso as vezes; mas muitas vezes acreditei ter forças pra mudar o que só Deus pode mudar.

Nesse tempo também aprendi que eu sabia muito pouco de Deus. Sempre acreditei que ele era um cara que tinha obrigação de me fazer bem, de me dar tudo que queria. Sempre achei uma injustiça o fato de Deus ser amor, mas a vida estar uma caca.

Hoje, ainda tenho um pouco dessa mentalidade, de achar que Deus é um vento, um gás, uma luz… Algo fora de mim. Mas tem horas que eu me obrigo a acreditar que tudo o que se passa comigo, é o melhor para mim. É o que vai me tornar melhor. Vai me lapidar.

Deus é uma pessoa fantástica, que amarra nossas mãos e pés, abre bem a nossa boca e enfia a colher de remédio lá dentro, como uma mãe que por amor do filho, faz ele beber do remédio de pior sabor, sabendo que este contém as melhores vitaminas.

Ou acaso alguém que tenha Câncer gosta de fazer quimioterapia? Alguém que tenha problemas renais, goste de fazer hemodiálise? Deus é assim, assim ele tem feito comigo: Amarrou-me para dar o remédio bom; já que eu prefiro apenas o xarope docinho, que não cura nada.

São palavras, podem parecer vazias, bonitas mas sem teor concreto nenhum. Só que sinceramente, são elas que estão no meu coração agora, é o que eu estou vivendo agora.

Cada qual sabe que seu coração só pode ser visualizado e compreendido pelo seu Criador; ao homem não foi dada a faculdade de perscrutar corações. Porém, apesar de tantas coisas ao mesmo tempo, tantas opiniões, tantas atitudes impensadas dos outros  e minhas também, aqui só sobrou a fé. Não tem mais nada. Podem levar tudo, mas a fé ainda está aqui. Ninguém me disse que estar na Igreja era garantia de uma vida tranquila e feliz, sem problemas; ao contrário, me disseram que seria difícil. Isso me deixa muito feliz, porque estou no lugar certo, onde as pessoas falam a verdade.

Resta-me agora continuar pedindo à Deus que tenha misericórdia de mim, pois sou pecador. O resto, é deixar que a matemática natural vá subtraindo a parte escura, e multiplicando a parte clara.

A todos que estão comigo, um profundo agradecimento pelas orações, apoio, e principalmente paciência. Aos que não fazem a mínima idéia do que estou falando, não se preocupem: todos tem momentos de noite em suas vidas, eu apenas estou vivendo uma noite escura, de tantas que certamente viverei.

Ó noite que juntaste, amado com amada…

Uma palavra sobre a publicidade regional 28 Novembro, 2008

Posted by wicky in publicidade.
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As linhas que eu vou escrever são de alguém que simplesmente observa e analisa o que vê na sua caixa mágica todos os dias. Apenas uma opinião.

As grandes agências de publicidade são conhecidas por suas idéias inovadoras, inteligentes, que despertam no consumidor uma relação afetiva com o produto anunciado. Cria-se uma ponte entre produto-necessidade-sentimento. A necessidade do consumidor muitas vezes não existe, e a função da propaganda é criar essa necessidade. Acaso alguém conseguia viver sem celular em 1997? Conseguia sim. E onze anos depois, alguém consegue viver sem?

Porque você comprou o celular que você usa? Porque você usa a operadora que você usa? A propaganda responde essa pergunta. Porque ela estabeleceu entre você e o prestador de serviços, uma relação inicial de confiança, despertou em você um sentimento. Completou-se a ponte entre produto-necessidade-sentimento.

O grande problema é que as agências regionais não estão sabendo estabelecer esta ponte. Há muitos anos, vejo a propaganda de um supermercado conceituado, uma rede respeitável na cidade, mas seus anúncios continuam pífios, não estabelece uma relação com quem vê. Limita-se apenas a anunciar preço de carnes, ovos, cerveja (beba com moderação) e o famoso etcétera. Um exemplo de propaganda cansativa, que desperta dores de cabeça são os anúncios das Casas Bahia, que aliás, investe pesado na sua publicidade. Porém é algo deveras limitado, porque coloca um ator aos berros disparando palavras imperativas de “compre, corra, aproveite!” – Diferente da preciosa propaganda  da Brastemp, que inseriu no vocabulário brasileiro até mesmo um novo “dito popular”.

Os anúncios regionais não são assim “uma Brastemp”, mas existe sim muita capacidade nos publicitários locais em produzir peças únicas, como por exemplo uma antiga propaganda de um loteamento em que a atriz terminava a cena com a frase “e a gente aqui, pagando aluguel”.

Peças publicitárias assim fazem esta relação produto-necessidade-sentimento tornar-se algo cotidiano, algo que se comenta nas rodas de conversa afora. E isso com certeza, gera lucros para veículo, agência e cliente.