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Carta a dois ’senhores’… 19 Abril, 2009

Posted by wicky in pessoal.
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‘Senhores’…

Esta noite, enquanto vocês repousam e quem sabe viajam em seus sonhos e projetos, eu lia atentamente certas palavras que mexeram profundamente comigo, e me fizeram pensar sobre felicidade.

Eu tenho só 24 anos, e em tão pouco tempo tantas coisas aconteceram na minha vida. Tantas marés que eu achava que jamais iam passar, e acabaram passando…

Confesso que esta maré em particular está difícil, mas eu parei de olhar pra mim mesmo e tenho me esforçado pra acreditar que ela é importante e vai passar como todas as outras passaram.

Eu sei que o sono de vocês agora talvez não esteja dos melhores, ou quem sabe até esteja; mas queria muito poder dizer que existem dois corações no planeta que neste momento estão batendo caladinhos, com medo e devagar para não fazer barulho. Queria muito que o som deles batendo pudesse ecoar no fundo de suas consciências, e pudessem perceber o tamanho de todo mal que se está produzindo em torno de duas vidas, que apenas desejam estar juntas.

Essas vidas descobriram que a felicidade é muito maior do que coordenar, discutir, enfeitar e recortar lembranças; pelo contrário, a felicidade está na simplicidade de um sorriso, num abraço apertado, num suspiro tímido… A felicidade é um recorte de pequenas letras, feitas de fé, de experiências, de pequenas gotas de vontade, e grandes porções de felicidade, todas vindas do céu.

‘Senhores’, a vida não é uma reunião em que se pode decidir pelo sim ou pelo não; a vida é o sangue circulando nas veias, é o calor do sol ou ainda o frio de um vento que teima em sacudir os cabelos… A vida não se decide num círculo de pessoas ‘capacitadas’ para julgar, a vida se resolve fazendo o que Jesus ensinou ‘amar o próximo’…

Eu vos amo ’senhores’. Decididamente eu vos amo. Amá-los não implica em fazer nascer um sentimento dentro de mim por vocês, implica eu decidir por amá-los, decidir que não importa o que façam, o que falem, quero amá-los, quero que meu coração bata forte por vocês, porque de vocês veio a vida que eu igualmente amo. Vosso rancor, vossa sede de justiça, eu quero e vou responder à altura, tendo ao meu lado o amor e a justiça. E a resposta é mais amor.

Humanamente eu posso? Claro que não. Sou débil como vocês, ’senhores’. Tenho dentro de mim talvez pecados maiores e que me obriguem a respeitá-los ainda mais… Porém graças ao vossos sentimentos negativos, estou podendo descobrir dentro de mim a força verdadeira na qual se traduz a fé: amar, não afetivamente, mas pacientemente; esperar pelo dia que Deus virá na vossa vida com força.

Sim meus diletos ’senhores’, Ele virá em vossas vidas. Como um dia veio na minha, me chamando pelo nome, iluminando a minha cruz, me preparando para algo grande, algo que não sei o que é. Mas Ele veio. Ele vem na minha vida todos os dias, inclusive mediante vosso ódio, e vossas palavras duras. Ele está convosco, ele vos cerca, por trás, pela frente… E este momento que vivemos, nos prepara para quando Ele chegar e não tenhamos mais como negar que se trata de Deus. Com toda a certeza do mundo: é assim que Ele age!

Nos resta, no caminho que ainda temos a percorrer, pedirmos ao Criador que nos alimente com humildade: que nos permita arrancar as cascas de nossas feridas para que sejam curadas definitivamente, reconhecendo que no outro há aquilo que no meu coração se esconde no mais oculto. Reconhecer que onde sou moralista, exponho minha fraqueza e meu pecado. Reconhecer que vivemos debaixo de um céu, cujo Deus não se encontra fechado numa Igreja ou sentado num trono, mas está do nosso lado, chorando conosco, sorrindo conosco.

Perdoando.

Aceitando.

Humilhando-se.

Afinal,

Nosso Deus morreu nu, desfigurado e profundamente maltratado.

E por incrivel que pareça, ainda gritamos “Crucifica-o!”.

Que Deus vos conceda todas as graças e bênçãos, materiais e espirituais, e que um dia vocês possam experimentar profundamente o amor e a fidelidade de Cristo.

Assino,

Jorge

Comentários»

1. Anne - 20 Abril, 2009

Eu vos amo ’senhores’. Decididamente eu vos amo. Amá-los não implica em fazer nascer um sentimento dentro de mim por vocês, implica eu decidir por amá-los, decidir que não importa o que façam, o que falem, quero amá-los, quero que meu coração bata forte por vocês, porque de vocês veio a vida que eu igualmente amo. Vosso rancor, vossa sede de justiça, eu quero e vou responder à altura, tendo ao meu lado o amor e a justiça. E a resposta é mais amor.

Rezarei por vocês todos. Que a luz de Cristo Ressuscitado ilumine vocês…