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…ciência que não consigo entender… 30 Março, 2009

Posted by wicky in 1.
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Um belo dia eu descobri quem era de verdade. Um belo dia, fiquei sabendo que essa descoberta é diária.

Uma experiência fruto da humilhação.

Eu prestava atenção um pouco nas palavras que ouvia na tarde de domingo, que mais ou menos diziam isso, sobre a verdadeira função que as vezes não faço: entrar na humilhação; que é prestar um serviço.

Acabo por certo, muitíssimas vezes prestando um des-serviço aos outros e a mim mesmo. Eu vou lá, pinto da cor que eu gosto as coisas, e as modelo. E a vida acaba sendo um protótipo do meu desejo. E tudo que foge disso torna-se insuportável pra mim.

Meus defeitos, todos conhecem, poucos compreendem. Mas a grande verdade é que no fundo, eu tenho um coração duro. Eu sei disso. Há cinco anos que eu sei disso. E é esse coração que me transforma no ser humano mais difícil, mais incompreensível, mais duro. Olhando a minha história, eu vejo quantas vezes sentei no meio-fio e fiquei venerando meus grandes feitos. Eis que chegou um belo dia, que estas estátuas, estes protótipos de vida que eu construí foram quebrando um a um. Sobrou agora eu e minha alma solitária.

No vazio da minha alma, naquele cantinho escuro que todo mundo tem, está um misto de decepção, cansaço, e apenas uma única certeza: de tudo que eu fiz, que não foi mais que minha obrigação, restou apenas aquilo que realmente importa pra Deus: eu e meus pecados.

É inutil eu me enganar, achar que tá tudo bem. Tá não. Já passou da hora de deixar Deus fazer alguma coisa. Até quando eu vou ficar manipulando Deus, meu servo, meu  escravo? Até quando vou fazer de conta que Deus é o único da minha vida? É nada!

E aproxima-se mais uma páscoa. E será A PÁSCOA, ou MAIS UMA Páscoa? E até quando vai ser assim? Até quando a minha vida vai ser mais um, e mais um e mais um? Mais um problema, mais um dia, mais uma aula?

Sério, isso é muito sério.

Eu tenho duas escolhas: entender de uma vez por todas que Deus não dá tantas chances à toa, ou então me refugiar naquilo que eu chamo de vida, de mundo, de vontade de Deus. Viver nas sombras da sub-vida, aquela que é da cor que eu pintar.

Enfim, acho que todo mundo tem direito de falar aquilo que sente.

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